A Celebração da Impermanência, 2020.
por Wagner Nardy

O modernismo no Brasil foi muito mais um programa estético do que um processo histórico. Baseado na simulação buscou representar o natural justificando a célebre frase de Caetano Veloso: ‘tudo aqui parece construção e já é ruína’. Flávia vem construindo uma obra que busca investigar entre outros, mas principalmente, aspectos ligados a representação e seu impacto na História. Embora extremamente pictóricas suas fotografias guardam muito mais o interesse escultórico -caminhadas de Richard Long, ao ocupar sítios históricos com balões criando delicadas celebrações da impermanência. A artista utiliza o material da cultura popular dentro do ambiente erudito, embaralhando os conceitos de íntimo, privado e público, político. Flávia dá vida a estes lugares buscando uma cenografia espacial, embora aparentemente lúdica a artista constrói críticas a (dis)funcionalidade dos sistemas artístico, arquitetônico e político através de sua delicada metáfora. O trabalho encanta e incomoda na mesma proporção pois é sabido de sua transitoriedade como na passagem de Antônio Bivar em A Trapezista do Circo; ‘... me atirar lá do alto na certeza de que alguém segurava minhas mãos, não me deixando cair. Era lindo mas eu morria de medo. Tinha medo de tudo quase, cinema, parque de diversão, de circo, ciganos, aquela gente encantada que chegava e seguia. Era disso que eu tinha medo, do que não ficava para sempre.’ Um chamado a reflexão das superficialidades dos tempos atuais. E uma alento de que tudo passa.